Um caso que me chamou muita atenção foi de uma paciente com 33 anos, já com 3 filhos, que chegou no consultório com muita dor em cólicas. Já tinha passado por vários médicos (bons, inclusive), porém nenhum tratamento conseguia resolver seu problema. O quadro estava tão grave que ela já tinha, inclusive, passado com médico ortopedista para avaliar causa na coluna lombar, ou médico urologista — porque, além da dor em cólica, havia dor nas costas muito intensa.

Mas o que tinha de diferente? Os exames de imagem da paciente, tanto ultrassom quanto ressonância magnética de pelve, estavam sem alterações. Não havia nenhum sinal de endometriose, ou alterações anatômicas que pudessem explicar o quadro.

Optamos, em decisão conjunta, pela cirurgia de histerectomia total por via minimamente invasiva. O resultado da avaliação da peça cirúrgica pelo médico patologista confirmou o diagnóstico de adenomiose do útero.

Este caso reforçou para mim que, acima de qualquer laudo, devemos sempre priorizar os sintomas relatados pela paciente. Muitas vezes, mesmo com exames realizados de maneira adequada, só é possível a identificação do fator através da biópsia.

Seguem os 7 sintomas, e o que pode estar oculto neles:

  • Dor que piora progressivamente a cada ciclo = sinal clássico de inflamação importante do útero, sintoma mais comum da endometriose e adenomiose.
  • Dispareunia de profundidade = comprometimento da região do fundo da vagina / septo retovaginal ou ligamento uterossacro por infiltração de endometriose.
  • Dor ao evacuar ou sangramento retal cíclico = sintoma de endometriose com invasão relevante do intestino (retossigmoide).
  • Sintomas urinários cíclicos (disúria, urgência que piora no período) = infecção urinária, mas também pode ser um sinal indireto de endometriose de bexiga.
  • Infertilidade sem causa aparente = obstrução das tubas uterinas ou endometriomas.
  • Dor que não cede com analgésico comum / anti-inflamatório em dose usual = útero com adenomiose extensa.
  • Fadiga incapacitante associada ao ciclo = sinal de dor pélvica crônica e tentativa de adaptação cerebral.

Se dois ou mais desses sinais soam familiares, vale uma avaliação com nossa equipe. Não deixe sua saúde pra depois!