Endometriose
O que é a endometriose?
A endometriose tem ganhado destaque como uma das principais causas de dor pélvica e infertilidade na mulher. Por muitos anos — e, infelizmente, às vezes ainda hoje — foi uma doença negligenciada: mulheres conviviam com dores intensas ouvindo que "cólica é normal", e demoravam anos até receber o diagnóstico correto.
Esse cenário mudou. Com o surgimento de técnicas modernas de diagnóstico, como a ressonância magnética de pelve com protocolo para endometriose, e o avanço da cirurgia minimamente invasiva, tornou-se possível identificar com precisão os implantes da doença e tratá-los de forma direcionada — sem a necessidade de cirurgias mutiladoras e com redução considerável das complicações cirúrgicas.
A endometriose é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio (a camada interna do útero) fora da cavidade uterina, formando lesões infiltrativas que podem acometer diversos locais da pelve: ovários, ligamentos uterossacros (entre o útero e o intestino), o próprio intestino, a bexiga e os ureteres. É, portanto, uma doença desafiadora — que exige avaliação especializada e tratamento individualizado.

Sintomas
Os sintomas variam conforme a localização e a profundidade das lesões. Os mais frequentes são:
- Cólica menstrual intensa e progressiva (dismenorreia), muitas vezes incapacitante
- Dor pélvica crônica, mesmo fora do período menstrual
- Dor durante a relação sexual (dispareunia de profundidade)
- Dificuldade para engravidar (infertilidade)
- Alterações intestinais cíclicas: dor ao evacuar, distensão, sangramento nas fezes durante a menstruação
- Sintomas urinários cíclicos: dor ao urinar ou sangue na urina durante o período menstrual
- Cansaço crônico e impacto na qualidade de vida
Importante: a intensidade da dor nem sempre reflete a extensão da doença. Há mulheres com lesões extensas e poucos sintomas — e o contrário também acontece.
Diagnóstico
O diagnóstico moderno da endometriose combina três pilares:
- História clínica detalhada — o padrão dos sintomas já direciona fortemente a suspeita
- Exame físico especializado — o toque vaginal pode identificar nódulos e áreas de dor características
- Exames de imagem com protocolo específico — o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e, principalmente, a ressonância magnética de pelve permitem mapear os implantes com precisão, definindo tamanho, profundidade e órgãos acometidos
Esse mapeamento pré-operatório é fundamental: é ele que permite planejar uma cirurgia de precisão, em tempo único, com a equipe e os recursos adequados.
Tipos de endometriose
Endometriose superficial (peritoneal) — implantes rasos na membrana que reveste a pelve.
Endometriose ovariana (endometrioma) — cistos nos ovários contendo conteúdo achocolatado, popularmente conhecidos como "cistos de chocolate".
Endometriose profunda — lesões que infiltram mais de 5 mm abaixo do peritônio. É a forma mais complexa, e inclui:
- Endometriose intestinal: acomete principalmente o reto e o sigmoide. Pode causar dor ao evacuar, alteração do hábito intestinal e sangramento cíclico. Dependendo do tamanho e da profundidade do nódulo, o tratamento cirúrgico pode variar do "shaving" (raspagem da lesão) à ressecção discóide ou segmentar do intestino.
- Endometriose ureteral: o comprometimento dos ureteres (canais que levam a urina dos rins à bexiga) é silencioso e potencialmente grave — pode causar dilatação renal e perda de função do rim sem sintomas evidentes. Sua identificação exige imagem de qualidade e cirurgião habituado a essa anatomia.
- Endometriose vesical: acomete a bexiga, causando sintomas urinários cíclicos.
Classificações
As classificações ajudam a padronizar a descrição da doença e o planejamento cirúrgico:
- rASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva): gradua a doença em estágios I a IV (mínima, leve, moderada e grave), conforme a extensão dos implantes e aderências.
- Classificação #Enzian: mais utilizada atualmente para a endometriose profunda, descreve compartimento por compartimento o acometimento da pelve (vagina, ligamentos, intestino, bexiga, ureteres), funcionando como um verdadeiro mapa cirúrgico.
Vale lembrar: o estágio da classificação não mede a dor da paciente — mede a extensão anatômica da doença.
Tratamento
O tratamento é individualizado e depende dos sintomas, da extensão da doença, do desejo de gestação e da resposta a tratamentos anteriores.
- Tratamento clínico: medicações hormonais que bloqueiam a menstruação podem controlar os sintomas em parte dos casos, especialmente nas formas mais leves.
- Tratamento cirúrgico: indicado quando há falha do tratamento clínico, dor incapacitante, comprometimento de órgãos (intestino, ureteres, bexiga) ou infertilidade associada. O padrão atual é a cirurgia minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica) com ressecção completa das lesões, preservando os órgãos e a fertilidade sempre que possível.
Um diferencial na cirurgia da endometriose complexa
Minha formação como cirurgião oncológico me permite tratar a maioria dos casos de endometriose complexa reunindo, em um único cirurgião, conhecimentos de cirurgia ginecológica e colorretal — algo pouco usual.
Na prática, isso se traduz em um entendimento profundo da anatomia da pelve e em uma cirurgia mais fluida, sem a necessidade de troca de equipes durante o procedimento, mesmo nos casos com acometimento intestinal ou ureteral. Acreditamos que, ao final, isso representa um benefício real para a paciente.
Tratamento especializado e individualizado
O tratamento para casos brandos pode ser medicamentoso. Porém, quando a endometriose infiltra a parede dos órgãos e apresenta sintomas muito debilitantes, está indicado o tratamento cirúrgico.
Quando a cirurgia está indicada, a via preferencial é a minimamente invasiva, seja por videolaparoscopia ou cirurgia robótica. Essas abordagens proporcionam recuperação mais rápida, menor risco de complicações e resultados mais precisos.
Quando a paciente ainda deseja engravidar no futuro, o tratamento é planejado para preservar o útero, as trompas e os ovários.

Perguntas frequentes
Dúvidas comuns sobre endometriose, diagnóstico e tratamento cirúrgico
Endometriose tem cura?
A endometriose é uma doença crônica, mas tem controle — e a cirurgia de ressecção completa das lesões, quando bem indicada e bem executada, oferece alívio duradouro dos sintomas na maioria dos casos.
Toda endometriose precisa de cirurgia?
Não. Muitos casos são bem controlados com tratamento clínico. A cirurgia é reservada para situações específicas, e essa avaliação é feita de forma individualizada em consulta.
Endometriose causa infertilidade?
Ela é uma das principais causas de infertilidade feminina, mas não significa que toda mulher com endometriose será infértil. Em casos selecionados, o tratamento cirúrgico pode melhorar as chances de gestação espontânea ou por reprodução assistida.
Preciso tirar o útero para tratar a endometriose?
Na grande maioria dos casos, não. O tratamento moderno busca remover as lesões preservando útero e ovários, especialmente em mulheres com desejo de engravidar.
Engravidar cura a endometriose?
Não. A gestação pode aliviar temporariamente os sintomas pela pausa da menstruação, mas não elimina a doença.
Endometriose vira câncer?
A endometriose é uma doença benigna. A associação com câncer é rara, mas o acompanhamento adequado permite identificar precocemente qualquer alteração suspeita.
A endometriose pode voltar depois da cirurgia?
A recidiva é possível, mas é significativamente menor quando a primeira cirurgia remove as lesões de forma completa — por isso a importância de um mapeamento pré-operatório detalhado e de uma equipe preparada para tratar todos os compartimentos acometidos.
Se você já tem o diagnóstico de endometriose, ou apresenta sintomas suspeitos, agende uma
avaliação no consultório. Um diagnóstico preciso é o primeiro passo para um tratamento
que devolve qualidade de vida.
Dr. Eric Drizlionoks
CRM 163976 / RQE 82405
Cirurgião oncológico com atuação focada em cirurgias do aparelho pélvico feminino, tratamento de endometriose profunda e procedimentos de alta complexidade, unindo precisão técnica, segurança cirúrgica e cuidado individualizado.
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