Cirurgia Pélvica Avançada
O que é
Chamamos de cirurgia pélvica avançada as cirurgias de grande porte em que a doença não está restrita a um único órgão: não apenas a pelve, mas potencialmente outras regiões da cavidade abdominal podem estar acometidas por implantes tumorais.
São procedimentos que representam o mais alto grau de complexidade dentro da cirurgia oncológica — e que, quando bem indicados e bem executados, podem mudar de forma significativa o curso da doença.

Quando é indicada
Encontramos essa situação em tumores específicos que têm como característica a disseminação pela cavidade abdominal (a chamada carcinomatose peritoneal), como:
- Câncer de ovário disseminado — a indicação mais frequente
- Pseudomixoma peritoneal — tumor raro, geralmente originado no apêndice, que produz mucina e preenche progressivamente o abdome
- Mesotelioma peritoneal — tumor raro da membrana que reveste a cavidade abdominal
- Casos selecionados de outros tumores com disseminação peritoneal
Como é a cirurgia: citorredução e peritoniectomia
O princípio central dessas cirurgias é a citorredução: a ressecção, com esforço máximo, de todos os focos tumorais visíveis. Isso pode incluir a peritoniectomia — a remoção das áreas do peritônio (a membrana que reveste o abdome e recobre os órgãos) acometidas pela doença — e, quando necessário, ressecções em múltiplos órgãos.
O grande desafio técnico está no equilíbrio: remover o máximo de doença possível, preservando os órgãos e minimizando as complicações para a paciente. É uma cirurgia de planejamento minucioso, que começa muito antes do centro cirúrgico — na análise detalhada dos exames de imagem, na avaliação clínica da paciente e na discussão do caso com toda a equipe.
HIPEC: quimioterapia intraperitoneal hipertérmica
Em casos selecionados, a citorredução pode ser complementada pela HIPEC (do inglês, Hyperthermic Intraperitoneal Chemotherapy): a administração do quimioterápico específico diretamente dentro da cavidade abdominal, ainda durante a cirurgia, em solução aquecida.
A lógica é atacar as células tumorais microscópicas que podem permanecer após a remoção de toda a doença visível — levando o quimioterápico em alta concentração exatamente ao local onde a doença estava, com o calor potencializando seu efeito.
É um tratamento de extrema complexidade, que exige estrutura hospitalar adequada e o esforço coordenado de uma equipe multidisciplinar: cirurgia oncológica, oncologia clínica, anestesia, terapia intensiva, enfermagem especializada e perfusionistas. Não é um procedimento para qualquer caso, nem para qualquer serviço — a seleção criteriosa da paciente é o que determina o sucesso.
A decisão é construída em conjunto
Talvez o ponto mais importante desta página: cirurgias desse porte nunca são uma decisão unilateral.
A indicação — ou a contraindicação — é construída em conjunto: eu apresento à paciente e à família, com transparência, o que a cirurgia envolve, quais os benefícios esperados, quais os riscos reais e quais as alternativas. Levamos em conta o tipo e a extensão do tumor, os tratamentos já realizados, as condições clínicas e, sobretudo, os objetivos e valores da própria paciente.
Há casos em que o esforço cirúrgico máximo é o melhor caminho. Há casos em que não é. Meu compromisso é oferecer uma avaliação honesta e tecnicamente embasada, para que cada paciente tome a decisão certa para a sua vida — e nunca caminhe sozinha nesse processo.
Se você ou um familiar recebeu o diagnóstico de um tumor com disseminação abdominal, agende uma avaliação. Cada caso merece uma análise individualizada antes de qualquer decisão
Tratamento especializado e individualizado
O tratamento para casos brandos pode ser medicamentoso. Porém, quando a endometriose infiltra a parede dos órgãos e apresenta sintomas muito debilitantes, está indicado o tratamento cirúrgico.
Quando a cirurgia está indicada, a via preferencial é a minimamente invasiva, seja por videolaparoscopia ou cirurgia robótica. Essas abordagens proporcionam recuperação mais rápida, menor risco de complicações e resultados mais precisos.
Quando a paciente ainda deseja engravidar no futuro, o tratamento é planejado para preservar o útero, as trompas e os ovários.

Dr. Eric Drizlionoks
CRM 163976 / RQE 82405
Cirurgião oncológico com atuação focada em cirurgias do aparelho pélvico feminino, tratamento de endometriose profunda e procedimentos de alta complexidade, unindo precisão técnica, segurança cirúrgica e cuidado individualizado.
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